O que fazemos com os nossos fantasmas familiares? Eles são nossos? São privados? São coletivos? São de quem? Se o nosso mais íntimo está atrelado ao espaço público silenciado, como fazer a rua falar? Manoela passa da abertura do guarda-roupa para a inscrição no espaço público com o seu trabalho de epigramas.

Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade o estado do Rio Grande do Sul foi aquele que concentrou o maior número de centros de detenção e tortura durante o regime militar (Carlos Grum, 2014). Porém, na cidade de Porto Alegre, existem raras iniciativas para identificar a história e os antigos usos destes locais relacionados à repressão. O tipo de inscrição que parece existir em maior número são ruas, escolas, condomínios e placas que homenageiam os presidentes do período ditatorial.

No Dicionário de Termos Literários de Carlos Ceia, epigrama designa inscrições em estátuas, moedas, medalhas, com fins laudatórios ou depreciativos. Podemos concluir que devido aos locais onde se insere, o epigrama é um texto curto, e surge com a intenção de tornar-se uma escrita pública.

Existe um prazer em colar um epigrama, assim como existe prazer em fazer uma pixação.