Montagem com quatro fotografias a cores. Todas enquadram, desde perspectiva superior, um guarda-roupas em cerejeira, com detalhes decorativos no topo e pés esculpidos. O móvel sem portas repousa no piso. Dentro da peça, Manoela sentada, decalca material em seu interior."
Imagem colorida. Fotografia tirada de cima. No topo da imagem encontra-se um guarda-roupas em cerejeira, com detalhes decorativos no topo e pés esculpidos. O móvel sem portas repousa no piso. Na parte inferior da imagem a artista Manoela, sentada no chão, cria o seguinte texto: “Quem vem do centro chega aqui pela Ponte da João Pessoa, única com Palmeiras-da-Califórnia plantadas sobre o dorso. Seguindo uma quadra adiante, no sentido do rio, encontra-se a Ponte da Azenha. Suas tochas de pedra são uma cortesia dos antigos para iluminar o trajeto daqueles que saiam da cidade em direção ao camposanto. Meu pai trabalhava num prédio do qual eu me orgulhava. Possuía átrio, colunas e chamavam-no Palácio, distinções que as escolas públicas nas quais minha mãe trabalhou nunca alcançariam. Eu e minha mãe saímos de férias e não retornamos. Hoje me pergunto por que, na época, não estranhei. Voltamos uma única manhã quando a casa não funcionava mais. Abrimos a dispensa e cozinhamos macarrão para comer de café. Por aquela época, no interior, comecei a desenvolver medo patológico. No Palácio, quando anoitecia, os policiais fechavam a porta que dava acesso à fossa porque ainda escutavam gritos.”