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Crônicas e produções têxteis de plantão: reflexões e ilustrações na pandemia pelo covid- 19 em Porto Alegre -RS – Brasil
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Documento
Anexos
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Versão em PDF da narrativa de Rosangela
Narrativa Rosangela
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
Miniatura
DESCRIÇÃO
A Coleção Testemunhos da Pandemia de COVID-19 é fruto de um trabalho conjunto entre o Museu das Memórias (𝘐𝘯)Possíveis e o Coletivo Testemunhos da Pandemia.
TÍTULO
Crônicas e produções têxteis de plantão: reflexões e ilustrações na pandemia pelo covid- 19 em Porto Alegre -RS - Brasil
NÚMERO DE REGISTRO
MMI.TP.0034
OUTROS IDENTIFICADORES
244340032_4203168126462196_3733115238584640815_n - Rosangela Amaral de Almeida
DADOS DA PRODUÇÃO DIGITAL
AGENTE PRODUTOR
Rosangela Amaral de Almeida > Fotografia | Rosangela Amaral de Almeida > Narradora
LOCAL DE CRIAÇÃO
DATA DE CRIAÇÃO
Entre março de 2020 e dezembro de 2021
TIPO DE RECURSO
FORMATO DO RECURSO
TÉCNICA/MATERIAL DO RECURSO
Informação obtida via Google Forms e organizado via Planilha Excel
MEDIDAS/DIMENSÕES DO RECURSO
79,7 KB (81.639 bytes)
DESCRIÇÃO DO RECURSO
Sou plantonista do Pronto Atendimento em Saúde Mental do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, pref de POA. Escrevi cerca de 80 crônicas semanais de maio de 2020 a dezembro de 2021. São textos que tratam das escutas do plantão, do consultório, do que vivíamos como país na pandemia, aliadas a manifestações culturais como música e poesia. Ilustrei muitos com fotos de minha produção em arte têxtil. Está ancorado no SUS, espaço de cuidados e esperança. Publiquei semanalmente no fb com interlocução.
Crônicas e produções têxteis de plantão: reflexões e ilustrações na pandemia pelo covid- 19 em Porto Alegre -RS-- Brasil. No período de março de 2020 a dezembro de 2021. Rosangela Amaral de Almeida
A pandemia pelo covid-19, no Brasil, estourou, quando voltava das férias. Na primeira semana de trabalho tomei a decisão de virtualizar meu consultório particular. Mantive meu plantão semanal de 20 horas no Plantão de Emergência em Saúde Mental do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, onde sou psiquiatra concursada pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre há 23 anos.
O começo disso tudo foi muito difícil, porque não imaginávamos o quão difícil seria, nem como estaríamos desprotegidos, nem como conseguiríamos seguir trabalhando com tantas perdas, com tanta precariedade e com poucas esperanças. O medo de adoecer, de morrer, de perder pessoas próximas e queridas estava junto. Não tínhamos vacinas, nem testes. Nos primeiros 10 meses, usamos nosso corpo para trabalhar. Cuidamos do nosso corpo para tratar de outros. Assim comecei a perguntar-me sobre o papel dos corpos no processo.
Estar de plantão foi um risco e um lugar importante. Risco de vida. Lugar do ideal, do SUS (Sistema Único de Saúde), da boa coisa pública, do bom cuidado. Também o simbolismo de estar de plantão é como ser farol, continente, apoio, atendimento. Comecei a registrar algumas falas de pacientes do consultório e dos atendidos na emergência e fui tecendo relações com o que acontecia no país, nas políticas públicas de saúde, na própria política e usando manifestações artísticas como ilustração, especialmente músicas de nosso cancioneiro e poesia.
Fui lembrando de artistas, que ajudaram a mim e tantos da minha geração a passar por traumas e sofrimentos. Eles souberam nos dar sua dor em versos de esperança, de delicadeza, de garra. Tanto que cantei Sabiá para meu filho adormecer.
Comecei a escrever estas crônicas em março, nos intervalos dos plantões, e publiquei no facebook. Iniciei em março de 2020 e encerrei estes textos em 31.12.2021. Já tinha alguma experimentação com arte têxtil, especialmente bordado, crochê e costura e resolvi fazer, também, uma crônica têxtil. Assim fiz trabalhos para Festival de Arte Têxtil Fibra de Artista (II e III), exposições do Chama que eu Bordo, Clube do Choro, Projeto Ó de Casa, Queimadas, Piradas no Ponto, dois livros têxteis e bordados ofertados a amigos. Desta forma procurei, pelo conforto que o têxtil proporciona, propor uma trama de cores, de alegria, de carinho, de cuidado. Recebi retornos generosos, que me diziam que os textos e os trabalhos ajudavam a pensar, a entender, a se alegrar e ter esperanças. Acredito que escrever e tecer foi meu jeito parcial de lidar com o sofrimento, a solidão e o medo. E de me sentir melhor e confiante a cada fim de plantão.
Entrego estes escritos e estas imagens ao Museu das Memórias (In)Possíveis como testemunho de vivência de quem trabalhou de dentro da pandemia pelo covid-19, buscando na Arte um estandarte de alegria para dias tão difíceis. Também, pelo atendimento no SUS, podemos dar visibilidade a pessoas que não aparecem nas estatísticas, pois o SUS, muitas vezes, chega em pessoas onde a água não chegou, nem a luz, ou o saneamento. Dentro do SUS, um dos meus lugares de ideal, é possível que muita gente possa contar uma história. Todos contam. Eu conto esta.
Narrativa de Rosangela Amaral de Almeida, mulher cis, branca, com 61 anos. Atua como psiquiatra plantonista em Saúde Mental do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, Prefeitura de Porto Alegre.
DADOS DO OBJETO DIGITALIZADO
AUTORIA
DATA DE PRODUÇÃO
Entre março de 2020 e dezembro de 2021
DADOS ADMINISTRATIVOS
CONDIÇÕES DE REPRODUÇÃO - DIREITOS DE IMAGEM
Autorizada, via Google Forms, a inclusão da referida narrativa na Coleção "Testemunhos da Pandemia de Covid-19", a fim de fazer parte do Acervo do 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂 𝗱𝗮𝘀 𝗠𝗲𝗺𝗼́𝗿𝗶𝗮𝘀 (𝙄𝙣)𝗣𝗼𝘀𝘀𝗶́𝘃𝗲𝗶𝘀, podendo ser divulgada como parte de uma (ou mais) exposições sobre o assunto.
Qualquer parte desta obra pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
DATA DE AQUISIÇÃO
10/02/2023
FORMA DE AQUISIÇÃO
Doação


