O Museu das Memórias (𝘐𝘯)Possíveis do Instituto APPOA – clínica, intervenção e pesquisa em psicanálise é um museu virtual de memória e de consciência que musealiza memórias, testemunhos, narrativas e objetos que viabilizam a inscrição, no espaço público, de memórias subterrâneas e de memórias difíceis na memória coletiva.
O (In)Possível com “N” não é por acaso, já que a palavra “impossível” (com M) não diz tudo o que gostaríamos de transmitir. Então inventamos outra palavra, uma que não existe no dicionário, mas que introduz a ideia moebiana de possível e de impossível ao mesmo tempo. Quando tiramos o M e colocamos o N, introduzimos dentro desse binário possível-impossível o (in)consciente, o (in)dizível. Com isso, tentamos enfatizar não o que está em plena luz do dia do nosso tempo, mas as sombras ao redor… Como nos ensina Giorgio Agamben, “Contemporâneo é, justamente aquele que sabe ver a obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente. (…) Pode dizer-se contemporâneo apenas quem não se deixa cegar pelas luzes do século e consegue entrever nessas a parte da sombra, a sua íntima obscuridade.”
O Museu traz histórias de violência e de violações de direitos humanos. Mas também traz histórias de construções e de resistências. Da dor à criação. Do apagamento ao testemunho. O Museu é lápide daqueles que não a tiveram. O Museu dá lugar aos testemunhos de vozes que não foram ouvidas. O Museu busca criar tempos e espaços para que o sujeito possa ali surgir a partir do registro de seus traços.
Os objetos do Museu se originam do particular, mas também nos trazem notícias de quem somos, do que pensamos, do que inventamos como coletividade. Falam de tempos de desumanidade, nos quais os homens perderam sua condição. De histórias em que pessoas tratadas como “inferiores” são relegadas à condição de resto, correndo o risco de terem sua existência apagada e de serem apagadas da existência, em nome de um suposto bem maior. Por isso, os objetos do Museu são produzidos a partir de transferências, que ao nomearem os traços dos objetos, inscrevem um lugar para os sujeitos.
Sustentando-se na teoria e na ética da psicanálise, a missão deste Museu é questionar as relações entre sujeito e cultura, apresentando-se como um lugar no qual aqueles que são sacrificados pela cultura possam ser reintegrados eticamente. Através de seus objetos, ele se propõe a fazer intervenções nos laços sociais, produzindo mudanças no modo como determinados sujeitos são inscritos nos espaços públicos e na memória coletiva.
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