sobre o (in) possível

O Museu das Memórias (In)Possíveis do Instituto APPOA – clínica, intervenção e pesquisa em psicanálise é um museu virtual que musealiza objetos de qualquer ordem: fotografias, sonhos, testemunhos… objetos que viabilizam a inscrição, no espaço público, de memórias subterrâneas e de memórias difíceis na memória coletiva. 

 

SOBRE O (𝘐𝘕)POSSÍVEL

O (In)Possível com “N” não é por acaso, já que a palavra “impossível” (com M) não diz tudo o que gostaríamos de transmitir.  Então inventamos outra palavra, uma que não existe no dicionário, mas que introduz a ideia moebiana de possível e de impossível ao mesmo tempo. Quando tiramos o M e colocamos o N, introduzimos dentro desse binário possível-impossível o (in)consciente, o (in)dizível. Com isso, tentamos enfatizar não o que está em plena luz do dia do nosso tempo, mas as sombras ao redor… Como nos ensina Giorgio Agamben, “Contemporâneo é, justamente aquele que sabe ver a obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente. (…) Pode dizer-se contemporâneo apenas quem não se deixa cegar pelas luzes do século e consegue entrever nessas a parte da sombra, a sua íntima obscuridade.”

COMO O MUSEU DAS MEMÓRIAS (𝘐𝘕)POSSÍVEIS DO INSTITUTO APPOA FUNCIONA?

O Acervo do Museu é criado em três tempos:

1. Primeiro encontramos algo que contenha em si um valor narrativo. Pode ser qualquer objeto, independentemente da sua materialidade: uma boneca, um sonho, um testemunho, uma árvore, um anel, uma fotografia de família.  São “coisas” que transmitem histórias e guardam memórias. Nós chamamos essas coisas de sociotransmissores, são extensões dos nossos corpos, pontes entre tempos e espaços, entre o visível e o invisível. Carregam em si um traço que nos representa. Todos temos esse objetos narrativos que nos representam, mas não são quaisquer desses objetos que poderão fazer parte do Museu. Há uma segunda etapa para que esses objetos tão valiosos entrem no nosso acervo.

2. Esse objeto particular deve contar histórias de pessoas que sofreram rupturas de sua relação com o laço social ou que estejam ocupando um lugar de exclusão social. A história de uma guerra, de uma ditadura, de uma violência de Estado. Se o objeto contar histórias de pessoas que se tornaram invisíveis aos olhos de todos, poderá fazer parte do acervo do Museu. Por exemplo, se um brinquedo infantil ou testemunho tiver vindo de um refugiado de guerra, de um morador de rua que foi assassinado ou de alguém que foi removido de sua casa, esse objeto não conta apenas a história de seu dono, a história particular e privada de uma família, mas traz algo do coletivo e da cultura. Violações de direitos, violências sofridas, rompimentos dos laços sociais, desigualdades sobre as quais as sociedades se constituem, humanos que são considerados menos humanos do que os demais. O que o Museu das Memórias (In)Possíveis musealiza parte de um particular, mas mostra que as violências sofridas são responsabilidade de todos

3. Por fim, esse objeto material ou imaterial, é  informatizado, digitalizado, documentado e virtualizado, posto, portanto, em evidência, a fim de que essa memória individual possa se inscrever no espaço público, compondo então a memória coletiva.

O QUE SE PRESERVA NO MUSEU DAS MEMÓRIAS (𝘐𝘕)POSSÍVEIS?

Preservam-se narrativas, memórias, histórias de pessoas que sofreram rupturas de sua relação com o laço social ou que estejam ocupando um lugar de exclusão social. Essas memórias podem estar ancoradas em diferentes objetos, não importando sua materialidade. Por isso, podemos afirmar que o que é preservado está no âmbito do patrimônio imaterial, ou intangível. Além disso, estamos tratando da discussão sobre as memórias difíceis e os traumas coletivos da sociedade. O Museu das Memórias (In)Possíveis, portanto, além de ser um espaço virtualizado para a discussão e a preservação das memórias subterrâneas, memórias difíceis e traumáticas, também se constitui em um fórum, um espaço público para o “desenterramento” simbólico de memórias e histórias que precisam ser lembradas para que certos horrores jamais se repitam.

Por ser um museu de tipologia virtual, essas narrativas, memórias e histórias são preservados através da conservação e exposição do registro informatizado e digitalizado dos objetos que ancoram tais memórias e, por isso, são sempre acompanhados de uma narrativa, expressão imaterial de grupos e indivíduos. Esses registros nascidos digitais ou digitalizados são transformados em documentos digitais, unidades de registro de informações em código binário, acessíveis através de um sistema computacional. Essa nova configuração torna o Museu das Memórias (In)Possíveis um museu virtual locado no ciberespaço com potência de levantar proposições ao campo da memória e do patrimônio.

QUAL A NOSSA MISSÃO?

Sustentando-se na teoria e na ética da psicanálise, a missão deste Museu é questionar as relações entre sujeito e cultura, apresentando-se como um lugar no qual aqueles que são sacrificados pela cultura possam ser reintegrados eticamente. Através de seus objetos, ele se propõe a fazer intervenções nos laços sociais, produzindo mudanças no modo como determinados sujeitos são inscritos nos espaços públicos e na memória coletiva.

QUAIS OS NOSSOS VALORES?

a. Ser um espaço de testemunho;

b. Recriação de laços sociais fragilizados;

c. Local para questionar os modos de inscrição dos sujeitos em nossa sociedade; espera-se propiciar aos visitantes novas perspectivas sobre os temas abordados;

d. Inscrever a memória dos sujeitos que estão situados no lugar de “resto” social;

e. Problematizar a responsabilidade pelas exclusões no processo de construção das memórias coletivas;

f. Dialogar com todos que insistem em resistir ao apagamento pela exclusão e segregação;

g. Intervenção sustentada na ética da psicanálise.

PLANO MUSEOLÓGICO 2018-2020

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